Direitos Humanos

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quarta-feira, 13 de março de 2013



Mapa da Violência 2013: Mortes Matadas por Armas de Fogo, do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz
CEBELA E FLACSO divulgam novo Mapa da Violência
O Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos – Cebela e a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais – Flacso divulgaram o Mapa da Violência 2013: Mortes Matadas por Armas de Fogo, do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz.
As fontes utilizadas para a realização do estudo foram: o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) com dados de 1980 até 2010 e o Sistema de Informações Estatísticas da Organização Mundial da Saúde (Whosis) para as análises internacionais.
O estudo traça um amplo panorama da evolução da violência letal entre 1980 e 2010, quando morrem nada menos que 799.226 cidadãos vitimados pelo disparo de uma arma de fogo.  No ano de 2010 as vítimas das armas de fogo foram 38.892:
  • 36.792 (94,6%) homicídios
  • 352 (0,9%) acidentes
  • 969 (2,5%) suicídios e
  • 779 (2,0%) indeterminado: sem definição se foi homicídio, suicídio ou acidente.
Se essa cifra já representa um número assustador, é ainda mais preocupante saber que 450.255 eram jovens entre 15 e 29 anos de idade. Exatos 30% do total de óbitos na faixa de 15 a 29 anos em 2010 tiveram sua origem no disparo de arma de fogo. Colocado de outra forma: uma em cada três mortes juvenis é produto de disparo de arma de fogo. De longe, a maior causa de mortalidade entre os jovens.
Para entender a gravidade da situação, basta mencionar que esse número de homicídios por arma de fogo é o maior do planeta, superando largamente quantitativos de países bem mais populosos, como a China ou a Índia, ou também os números de conflitos armados no mundo das últimas sete décadas, como a Guerra do Golfo, os conflitos nos Territórios Palestinos.
No contexto internacional, entre 100 países analisados o Brasil, com uma taxa de 20,4 óbitos por armas de fogo por 100 mil habitantes, ocupa o nono lugar, depois de El Salvador, Venezuela, Guatemala e Colômbia, que ocupam as quatro primeiras colocações. Mas fica muito longe da de países como Cuba ou Holanda que, na faixa de 0,5 vítimas de armas de fogo POR 100mil habitantes E muito mais longe ainda da Coréia ou do Japão, uma taxa de aproximadamente 0,1 mortes por armas de fogo POR 100000 habitantes: 200 vezes menor que a brasileira.
Se 20,4 óbitos por AF é a média nacional, diversos estados e/ou municípios apresentam uma situação bem mais complexa e preocupante:
  • Várias UF ultrapassam a casa dos 30 óbitos por AF em 100 mil habitantes: Espírito Santo, Pará, Bahia, Paraíba e Pernambuco, com uma situação especial: a de Alagoas, com um índice de 55,3.
  • Quatro municípios superam a inaceitável marca de 100 óbitos por AF em 100 mil habitantes: dois da Bahia -Simões Filho e Lauro de Freitas- e os outros dois encontram-se no Paraná -Campina Grande do Sul e Guaíra.
O estudo analisa também o sexo, raça/cor e idades das vítimas destacando que são prioritariamente jovens, negros e do sexo masculino o destino dos disparos.
   O texto completo do relatório, assim como planilhas contendo dados dos 5.565 municípios do país, pode ser acessado a nos sites: www.cebela.org.br e www.flacso.org.br

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